Café Philo Virtual: Narrativas do Fim

Café Philo Virtual: Narrativas do Fim

Os encontros mensais de Café philo estão de volta. Agora em formato de live! Participe

Data: 27/11
Local: Youtube Canal – Aliança Francesa de Curitiba e Facebook
Horário: 19h30
Tema: O feminismo e o fim da mulher.
Palestrantes: Camila Batista (PUCPR) & Ana Paula Martins de Souza (PUCPR)
Curador: Ericson Falabretti
Apoio: PPGF/PUCPR

Justificativa.

Nas últimas décadas o debate sobre o fim tem ganhado uma profusão de narrativas filosóficas, estéticas, científicas, teológicas e literárias. É certo que essa discussão não é nova. Encontramos esses discursos desde os mitos (pré-colombianos, gregos etc), passando por textos bíblicos que esboçam os últimos eventos da história e do mundo. Ainda que os gregos não acreditassem num começo ou num fim absoluto, a cultura ocidental está marcada, sobretudo na religião judaico-cristã, pela ideia do “apocalipse”, palavra que vem do grego e significa “revelação”. A Bíblia judaico-cristã fala sobre o fim dos tempos tanto no Velho como no Novo Testamento. No Antigo testamento, temos a figura do profeta Daniel, que através dos seus sonhos e visões profetiza sobre o final dos tempos. O Apocalipse, último livro da Bíblia, escrito provavelmente por João, texto incontornável quando pensamos na inevitabilidade do fim, nos apresenta uma perspectiva  aterrorizante: o fim será, como num filme catastrófico-diabólico, um grande terror, pois naqueles dias, como escreveu João: “as pessoas vão procurar a morte e não a encontrarão. Vão desejar morrer, mas a morte fugirá delas!” Já pensou no fim sem morte?

Soma-se a essas narrativas religiosas a profusão de obras literárias sobre o fim, como a excelente “A Estrada” de Cormac McCarthy e uma inesgotável produção cinematográfica que nos diverte e nos apavora. O fim será causado por um vírus?  Ou serão as máquinas exterminadoras de humanos que decretarão o fim das nossas vidas? Sobrarão somente os zumbis e as baratas? Ou seremos todos dizimados em função de uma grande crise climática? Ou, ainda, será um asteroide que nos esmagará? Antes disso, vamos nos autodestruir pela ciência e pela guerra nuclear? Opções e teses para o fim não acabam nunca.

Essas diversas teorias de uma inevitável “colapsologia”, apoiadas em estudos sobre questões climáticas, escassez energética, penúria de alimentos e consequências limítrofes da ciência e da técnica indicam que o fim do mundo é uma questão de tempo. Todavia, de modo geral, qual o sentido e o alcance epistemológico e ético dessas diferentes teorias: o fim – o apocalipse –  seria causado pelo comportamento “pecaminoso”, pelo consumismo irrefreável da humanidade, pela nossa ambição ou seria tão somente uma lei da própria existência?

Sendo inevitável, como devemos nos preparar para o fim? Não apenas da morte, como dizia Montaigne, mas para o fim de tudo.

O café philo não dará nenhuma resposta absolutamente certa sobre isso, não incentivará ninguém a construir um abrigo nuclear ou, ainda, a rezar. Todavia, aqui no café philo da Aliança Francesa, seguimos com Sêneca sabendo que o mais importante não é o fim em si mesmo, mas a determinação para viver a jornada da vida.